Extraídas Impressões Impressas

 


Da sonoridade digitalizada do despertador que a acorda, estende os dedos para findar sua função. No cuidado de não ativar o modo soneca, esse que deixa dormir mais um tanto, os olhos de manhã amanhecida recaem sobre o visor. E os dígitos da hora e do dia, ecoam quase feito um bom dia susurrado com as palavras de Galileu Galilei de que a verdade é filha do tempo. Levanta da cama como gesto simples de todos os dias, prepara o café no habitual automático, e conta mentalmente o tempo para saber o que e quanto pode se permitir fora da rotina matutina sem que se atrase para os deveres do dia.

Respira fundo... foram-se os tempos das especulaçõestemporais. Desde o momento em que encontrara a entrega, deixa suas compreensões para os tempos certos, esses que não se prevê nem mede. Toma o café que a esquenta aos goles com o sentimento que o poderia estar fazendo em qualquer lugar da terra, inserida em qualquer rotina, tendo toda forma possível de dia a frente a ser vivido. Apenas o tempo presente, simplesmente ela nos ponteiros do agora, com suas verdades que desabrocham a cada caminhada de hora. E hoje no céu terá lua nova... acordara assim, embebida da ciclicidade da vida, e sua influência sobre seus olhos.

Veste-se de manhã com a bolsa preparada de sexta a tiracolo... sabe que nada sabe além daquilo que lhe desperta... e sente saber tão pouco... e sente um querer saber tão mais. Com os olhos de caderninho dentro da bolsa, parte porta a fora para o dia do agora...em busca de impressões...



Impresso por-em Cris Ebecken As 08:39:46
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Entre os ímãs estampando a porta da geladeira, no abre e fecha por mate, água, chá verde, os olhos teimam sobre Millor:

"Viver é desenhar sem borracha"

No último copo refeito, permitiu ao olhar divagar sobre as letras. Há de se saber escolher as canetas e os lápis de cor... cada traço traçado é o traço que interliga o próximo traço... passos pela casa são rastros pela estrada da alma.



Impresso por-em Cris Ebecken As 20:45:07
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Chegou perto, bem perto do muro. Debruçou-se.

Bem sabia... já estava desconfiada.

Com as costas dadas ao zumzumzum dos carros

e os ouvidos desligados das notícias alarmadas,

espichou os olhos curiosos cansados

que foram se arrredondando mais e mais

conforme o horizonte alargava feito túnel no fim chegado.

Estendeu os braços, surpresa até com a força,

em um salto ultrapassou a parede rochosa,

e toda a cidade dos enganos fechou-se calada para trás.



Impresso por-em Cris Ebecken As 17:42:01
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Quando se olha uma criança tudo que se sabe é da reticência da vida no por vir, assim parece se saber muito. Embora não se saiba nada. Como virá a se construir, quais os caminhos serão escolhidos, por qual ângulo olhará o horizonte, se se perceberá diante ao horizonte ou se aterá aos sulcos da jornada. Que impressões e com que formas serão impressas suas aquisições de mundo. Quais valores colecionará em seu báu, se tenderá a normas, a imagens, a sensações, a pessoas. Se cuidará desse baú, ou mesmo se reconhecerá a sua existência. Quando se olha uma criança, facilmente se fala de sonhos, e respira-se fundo lançando olhos acreditados.

Mas a criança é simplesmente uma criança... e assim é muito... mas apenas uma criança.

Quando se olha um adulto tudo que se sabe é o que parece vir estampado a face, e assim sabe-se quase nada. Embora o adulto de si possa saber muito, ou por escolha nada. Tem os sulcos na pele e na memória tonalizados. Impressões de seu percurso com açúcar ou com fogo foram pintadas. Já fez escolhas, já acertou passos, já tropeçou noutros, e com bom senso aprendeu boas coisas, e por dores deixou tortos outros aprendizados. Preferencialmente desenvolveu a possibilidade de buscar o melhor ângulo ao horizonte, ou infelizmente limita-se em desacreditá-lo. Tem baú... e se disser que não, ou a face está tampada, ou o sentir se defende negado.

Quando se olha um adulto... há o mistério do que fizera com a criança que fora... e há as consequências dos atos pelos passos. Mas permanece ainda o incontável número de possibilidades do que fará com o adulto que se tornara. E pode se perguntar se mantém a sabedoria da criança de que sonhos são para serem acreditados, já que agora as mãos traçadas carregam a elaboração das possibilidades.

Pois o adulto é simplesmente um adulto... e por não ser mais criança, sabe dimensionar bem o que é muito e é nada. Mas é apenas um adulto... e ainda tem a caminhada...



Impresso por-em Cris Ebecken As 22:46:16
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Frio no Rio de Janeiro

e a gema quente

se derrete em saudade.

Frio na gema

clara contraproducente,

a cidade curvada

se alaga na estação recente.

Frio na cidade ensolarada

fim de rotina vira corrida ao acolhimento

e praia vira coberta enrolada. 



Impresso por-em Cris Ebecken As 19:33:31
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Amanheceu em um dia novo, embora ou inclusive chuvoso, tirando aquele par de sapatos do armário, o mesmo de seus passos iniciáticos pelas históricas pedras calçadas de Parati e São João Del Rei. Foi ao trabalho com os ares misteriosos de uma criança muito perto da hora de fazer arte. E podia sentir pulsando com os ponteiros o mundo velado para o qual caminharia em breve. O ostentoso prédio que a receberia em um primeiro contato, aberta à dinâmica palavreada do fazer alegria. Eu abro, tu abres... conjugação de verbo desperto.

 Mas antes de calçá-los, inclusive gerando inspiração para que o fizesse, pensou nele. Entre goles de café na sala e sentindo o cheiro de terra molhada vindo da janela, fantasiou por onde estariam seus passos. Podendo quase tocá-lo, bebeu da certeza do quanto suas manhãs estavam interligadas.

Saiu na hora do almoço quase fugitiva. Algum contorno pelo Rio de Janeiro e rapidamente o carro mergulhava na Pasteur alongando-se pela Urca. Depois de estacionado e sem nenhum guarda-chuva, aventurou-se despreocupada com a água a passos curiosos até a frente do Benjamin Constant. Com algum tempo folgado de espera para a hora marcada, achou um expresso em um posto, e equilibrando-o entre os dedos, subiu a escadaria para em um pedaço de marquize imponente abrigar-se da chuva.

Sentada ali no alto, bem no cantinho, novamente pensou nele. Ele que naquele momento já deveria estar acordado desde cedo. Ele com a sua semelhança em natureza de jardineiro, que vem despertando junto a ela com o sol das palavras. Por agora deveria estar com os pés na terra, viabilizando água brotar no mato. E ela, em plena cidade, em um espaço especial de momentos deles, queria contar-lhe como via tudo dali... e como o cheiro de terra molhada, mesmo entre tanto asfalto, parecia suspendê-la cada vez mais alto e trazer ele àquela escadaria. O que viam era a cidade toda amiudar-se frente ao engrandecer dos toques dos sentidos.

Mas o prédio é público e sua escadosa porta principal se encontrava gradeadamente fechada. No momento em que apagava o cigarro no plástico que abrigara o seu café, subia um mendigo juntando plásticos que já simulavam uma cabana no outro lado da estreita marquize da escada. Olhou-a com desconfiança. Ajeitou os novos plásticos para que melhor o abrigassem. Voltou a olhá-la, dessa vez bem fundo nos olhos. Ela, impelida em respeito, desceu deixando-o descansar sem ter seu canto quase invadido olhado tão de perto. Ou foi o sentimento dela que não suportou o desamparo. Ou foi o receio dela de que o homem se invocasse. Parou sob a proteção de um ponto de ônibus próximo, um carro fez de uma poça chuva do chão, melhor se ajeitou e ficou a espera. Eu aguardo, tu chegas... conjugações em respeito.

E de fato não tardou. Chegada a hora marcada, encontro receptivo em sorrisos, e toda aquela construção antiga detalhada em imponência de paredes e janelões compridos, abriu-se quente e simples. Um mundo inteiro em tons não vistos. Transbordante, palpitante, tateado, mapeado em corrredores e corredores repletos de toques humanos e especialmente infantis. Saiu por volta de uma hora depois, talvez quase duas, como quem tivesse almoçado ouro, enriquecida... faminta por mais horas daquelas. Horas em que a existência é pura e plenamente sentida.

Caminhou desligada na chuva em retorno ao carro. Olhando os pés, pensou no tal sapato que preparou seus passos. E mais uma vez pensou nele. E pensou na estrada que ele já tanto pertence, ele mesmo que a faz tanto pertencer. Com os olhos molhados reviu cada imagem construída ali, repleta do desejo de compartilhar. E imaginou os olhos dele repletos de tanta água... e foi como se uma correnteza inteira envolvesse os dois.

Eu te toco, tu me tocas... conjugação de vida.



Impresso por-em Cris Ebecken As 21:32:32
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Retorno de estrada

asfalto, montanha,

terra, vento, asfalto.

Parar não existe

para quem sonha ter asas.



Impresso por-em Cris Ebecken As 21:02:00
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- Isso é coisa de quem quando criança por algum momento teve a mão largada.

- Não sei...

- Você lembra de alguma coisa acontecida?

Repousa os braços sobre a mesa soltando o olhar adiante como quem mergulha em uma espiral de imagens. Não fora esquecida em um mercado, não se recorda de lhe terem perdido na rua, em parquinhos ou zoológico. Mas pouco esforço é necessário para que um turbilhão de lembranças lhe saltassem desgovernados.

E todas as sensações pareciam devorar em mastigadas. Pois de todas as situações lembradas, o sentimento vivido era esse. Raiz de si desenraizada.

- Me diz, ter a mão largada seria nascer no tumultuado pertencimento do só?

Isso é ser humano mesmo.



Impresso por-em Cris Ebecken As 11:39:01
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Véspera de Semana Santa no Rio de Janeiro e a cidade já esvaziada dispõe seu trânsito de rush mais livre enquanto os faróis por fim se aglomeram nas saídas da sua geografia. Sempre me indaguei curiosa cheia de imagens criadas sobre os versos e reversos das dinâmicas entre grandes e pequenos. Em meu mundo particular das elocubrações inventadas sempre me pareceu interessante pensar a cidade pequena que se esvazia para as semanas de trabalho dos que migram ciclicamente, e seu reencher novamente em tons amigos e familiares dos finais de semanas e datas santas. Da mesma forma, filha da gema como sou, desde pequena sinto os ares inversos tocando cada esquina. A sensação de panela-aglomerada-de-pressão-urbana, em que todos, seus moradores enraizados e os que são recebidos para trabalho, nessas tais datas, enfileiram-se quase fugitivos gritando por liberdade em verdadeiros formigueiros nas saídas das fronteiras cariocas. Deixando aos que por alguma razão ou escolha ficam, um ar de cidade reinventada. É quando o grande torna-se pequeno, e o pequeno faz-se grande.

Há no Rio uma beleza que independe dos calendários, e até hoje me pergunto se sou suspeita ou não ao detectá-la, uma vez que pareço respirar com os olhos sobre cada água ou montanha feito uma turista dentro de minha própria naturalidade impressa na carteira de motorista ou qualquer ficha pessoal de dados. Mas como acontece com toda beleza, há aqui também os tais defeitos impressos na memória, no vai e vem, no asfalto, nas construções e constituições. E novamente a questão do pequeno e do grande... e uma variação tão intensa de acordo com as lentes utilizadas. Hoje, nada me tira o pensamento daquela rodoviária imprópria a um grande centro lotada, a vista do longo engarrafamento pela ponte que de Niterói bifurca para estradas outras, e as informações no rádio sobre a lentidão do tráfego pela Linha Vermelha, Avenida Brasil e mais pontos de saídas.

Entre tantos, ele entrou no ônibus munido de sacos de biscoitos e levando uma caixinha vermelha, presente da namorada que até os últimos instantes cobriu-o de beijos sabendo da saudade que ficaria grande, e do tempo da volta que se esforçaria para sentir pequeno. Ele se dirigia à família, da qual a saudade já era grande e o tempo de retorno já fazia-se pequeno. Ela pegou seu carro em regresso à casa, sentindo o amor por ele grande, e compreendendo o ir e vir já como algo pequeno.

É nesses olhares que tudo parece me vir impresso em sons e cheiros, e mais uma vez me toma a dinâmica do pequeno e do grande. Pois quando se entra na pista do Aterro, tendo o Pão de Açúcar ao fundo sobre as margens da Urca, a maresia carioca quase entranha e se tem a sensação de imensidão na beleza. Ao mesmo tempo, reparar o número incontável de janelas aonde prováveis solidões e seus suores moram quase feito um quebra-cabeças, mingua toda cidade e o vaporoso cheiro de asfalto movimentado se aumenta. No primeiro momento, a memória desejante é o correr para estirar-se na areia e ouvir as ondas. No segundo, a sede por viagem e ares montanhosos de geografias outras com direito a maresia outra ou água fresca de rio ou cachoeira, impulsiona o aperto no peito.

Imediatamente busco o avesso dessa dinâmica, e fantasio uma realidade que somente a passeio conheço. Alguma cidade pequena, bem pequenina mesmo. Dessas que todos se sabem pelos nomes das famílias, curiosos fuxicam suas vidas e cordialmente se cumprimentam no açougue, na padaria, na esquina e nas mesas de um sempre mesmo boteco. A calmaria de tudo que circunda e a familiaridade com cada grama do vizinho acolhedoramente se engrandece. A paz de entregar as crianças aos ruídos das alegrias pelas árvores e ruas seguramente estreitas, trazem um cheiro de brisa mansa... chego a ouvir o barulho de café passando, e mesmo vapor de feijão no domingo. Mas quando penso na solidão de muitos que buscam a confraternização alcóolica no botecozinho de sempre e carregam na face suas dores a todos expostas, e nas crianças que se tornam adolescentes desejantes de um viver expandindo os limites e sonham em serem adultos em um horizonte estimulante de escolhas ou simplesmente se entregam a não possibilidade de ter sonhos diferentes da convenção das regras do que é mais cômodo, recáio no cheiro vaporoso de asfalto, e o macio da pacatez se apequena. E me chega um sentimento de esvaziamento na segunda, e a falta de movimento se engrandece feito bruma.

 Ele desceu a rampa da plataforma da rodoviária, carregando no ombro uma grande mala, a cada descida a procurando com os olhos, enquanto ela parada lá no alto alongava beijos mandados com as mãos. Ele não reside em uma cidade pequena, ela mesma quando lá fora a percebera bem cumprida. Ele tem filhos pequenos que um dia se tornarão grandes como ele, mas por agora abrirão seus pequenos braços dando-lhe abraços que a palavra grande nem mesmo dimensiona. Imaginar essa imagem e reconhecer a grandeza dos atos do homem que namora, faz com que ela sinta menor o aperto, que é grande, de vê-lo ir e se sentir ficando. Ele, acostumado com as indas e vindas por trabalho, provável já tenha diminuído a percepção do tamanho da estrada. Ela, imersa nas sensações dos pequenos grandes momentos vividos ao seu lado, de antemão já considera a métrica entre suas cidades pequena. E se pega se perguntando qual o tamanho da presença dela que ele sentirá ao abrir a caixinha vermelha, e se ele perceberá ali sua forma de dinamizar grande e pequeno de acordo com o fazer-se e sentir próximo.

Afinal, sou teimosa em acreditar na utilização positiva do grande e do pequeno. E todo esse falatório desmedido é um palavreamento da maior impressão do dia... que sim, tudo é por demais relativo. Pareço viver incansavelmente reajustando as lentes sobre tudo aquilo que me toca. Ficarei na gema nessa Páscoa, fazendo das palavras a serem tecidas e lidas e multiplamente olhadas um verdadeiro chocolate. Desejei sim respirar outros ares como a maioria, e acredito que nessa vida tudo que se faz é pelo bem nos sentimentos. E talvez o que realmente importe seja a forma que se escolhe de viver o grande e o pequeno.



Impresso por-em Cris Ebecken As 17:48:12
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Tudo a volta se faz registro

impressões em mim

desse mundo todo que me desinsere

mas estou inserida.

O que é feio e o que é bonito

como toda história e geografia

parece mar mexido. 



Impresso por-em Cris Ebecken As 12:49:26
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