Extraídas Impressões Impressas

 


- Eu quero até o final do ano fazer uma limpeza de todos os medos que eu adquiri depois da infância.

Era final de novembro de um outro ano quando ouvira as palavras da amiga. Estavam sentadas na borda do parapeito de uma casinha no alto de um parque. Dali de cima viam todo o verde. Feito duas crianças comentavam o impulso de voar e se pendurar nos galhos e cipós da frondosa árvore próxima. Balançavam as pernas soltas no ar. Cada uma a sua maneira testava a forma de se sentir mais segura em equílibrio aonde estavam sentadas. Já não eram mais crianças, a adolescência já lhes escapara pelos dedos, não tornaram-se suicidas. Eram duas mulheres tecendo palavras entre amizade e cigarros. Disseram-se bordadeiras. E essa era de fato a impressão que a vida lhes dava e aonde mais se assemelhavam. Chegaram a cantarolar música de lavadeira. Riram bastante com a idéia em agrado. Concluíram que a amizade que a vida as levara era mágica no sentido em que juntas lavavam seus bordados. Falaram muito sobre passado, compartilharam intensamente o que viviam no presente, rascunharam pedaços de sonhos que cada uma projetava naquele tempo para o futuro.

Os medos foram assuntos presentes e recorrentes. Ambas muito já haviam se perdido e naquela época enfrentavam aos esforços essa tendência esquiva que os medos adquiridos geram no ser humano. Naquele tempo foram praticamente uma braço da outra, e quando de um lado o tempo fechava, o outro levava um sorriso. Peculiarmente tão diferentes, mas naquele momento em tamanha sintonia. O fato foi que pouco depois virara o ano e o tempo foi sendo passado. E o tempo foi se encaminhando por seus imprevistos... caminhos foram apresentados, caminhos foram suspensos, caminhos tomaram rumos não imaginados, caminhos foram sendo escolhidos.

Ela hoje recorda com saudade a fala da amiga bordadeira. Sente estarem em tempo de se encontrarem para mais uma vez lavarem seus tecidos e cantarolarem a amizade com olhos revigorados para a beleza natural da vida. Pensa sobre as concepções e formas de medo. Respira fundo olhando o céu azul, e crê ser essa limpeza um trabalho de uma vida inteira, um constante debruçar-se nas águas a cada punhado de passo dado, para que nada no coração se cristalize.



Impresso por-em Cris Ebecken As 09:32:59
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Sobre essa palavra misteriosa no tatear

Das irrealidades da vida, talvez irreal seja o tempo simplesmente medido, pré e proscrito, categorizado, fichado, carimbado, fechado, previsto. Real na vida está mais para o imprevisto, um se permitir a, diferente de suportá-la como quem espia. Um não esperar nada e poder perceber as doçuras simples como existem. Um entregar à atemporalidade do tempo, muito mais sábia que nossa sabedoria. A vida, talvez como a arte para Vinícius, não se dá com covardia. Embora para todos, real somente aos que a inspiram e aspiram. A vida é para os vivos... e o tempo pulsa a todo instante feito convite.

- Pauso meus conceitos e enquadramentos, com licença. Vou beber um pouco mais do copo dessa tal vida. Volto em outra hora amanhecida.



Impresso por-em Cris Ebecken As 19:41:55
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- Não se sabote! Você não tem esse direito.

Dizia olhando-se fixamente nos olhos no espelho.

 O dilema humano, quando a vida em peripécias tira-lhe as linhas e só resta criar e recriar nas entrelinhas. Não se sabotar... enquanto há pulso, há a porta das possibilidades infinitas. Basta seguir o caminho, e para isso, verdade a verdade, olhos nos olhos... não se sabotar é o que importa. Não importam quantas metáforas sejam necessárias, ou se o pensar é de um concretismo dando voltas em seu labirinto. A dor é de cada um, a diferença está em como a descolorimos. O passado é de cada um, a diferença está em como se digere os significados da história. O tempo se metrifica singularmente, não há ponteiro igual em seu caminho, não há sequer percepção única sobre seu percurso.

- Não se sabote! Por direito você tem a sua vida, e ninguém sabe o quanto longa ou curta desde nascido.

Dizia olhando-se bem fundo. Seguido de um silêncio analisando traços e contornos, vestígios sombreados das marcas, resquícios de brilho disponíveis a serem iluminados. Ajeitou os cabelos, escovou os dentes, deu-se um sorriso.

- Bom dia.



Impresso por-em Cris Ebecken As 08:56:27
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Rio de Janeiro de muita chuva. Terça-feira de corre-corre amarfanhado no asfalto engarrafado. Pouco serve o desembaçador do carro, o acizentar dos olhos é núvem que envolve a cidade feito a bruma nas serras de outras fronteiras. Uma placa a frente pára no sinal vermelho, MG - Três Pontas, e os vidros insulfilmados não permitem ver quem ou quantos há ali dentro. Ao lado, um carro, com uma logotipo por toda sua extensão promovendo seu uso comercial, tem um senhor de olhos baixos ao volante, e no vidro traseiro o adesivo em letras brancas, Vera, Eu Te Amo. A Lagoa Rodrigo de Freitas, vista de um lado da pista, virou mar agitado em fusão com o horizonte branco de pura chuva, não podendo ser percebida como represa em luzes circunscrita. Existe em tudo isso, em tenso lenga-lenga de ruas e esquinas inundadas, uma percepção gritante e outra fina escondida, do retrato do pleno caos, mais a possibilidade faminta de olhar por vários ângulos... peço licença para falar do umbigo sem centrar nele... e assim só o posso fazer perguntando.

O que faz o ser humano se sentir mais seguro escondido? Se vivemos a plena moda das vitrines do umbigoísmo, aonde se bordam e em que tecidos são permitidas, a fluência das trocas do sentir? Como acontece, contornos tão nítidos, dissolverem-se em névoa? Aonde vamos, tão caoticamente engarrafados e enlatados duelando com um tempo que nos é abstrato e o tratando como a espécime mais concreta e palpável? O que vendemos de nós mesmos a cada encontro, a cada dia? Existe Procon para isso? O quanto roubamos de nós mesmos quando nos poupamos em poupanças de si?

Uma grávida caminha na contra-mão. Guarda-chuva em punho, garganta com vermelho rolê, e a barriga, sim a barriga, imensa, toda de fora, redondinha, linda, rebolante no frio. Será mesmo, conforme dizem alguns psicanalistas, que o útero da mãe é a experiência da segurança quentinha e mais desejável, da qual quando somos expulsos estamos de frente ao exílio? Até aonde não estamos nos propondo a viver o avesso da vida? Que lente da realidade das bordas de um pires é essa vendida e comprada aos gritos, bem baratinha, em qualquer camelô? De que ângulo seria menos obscuro olhar quando pronunciamos a palavra segurança? E a conjugação do verbo ser? Branca? Pontuda? Vermelha? Triangular? Declarada? Distorcida? Dilúvel? Fechada? Pareada? Viciada no uno? Pretérito Imperfeito, Presente, Gerúndio... futuro?! Talvez mais fácil se fantasiar no útero, se entranhar ao existir que já foi, não sair da casca do ovo, rejeitar a idéia de que o universo ao redor é feito de existências ativas.

 O engarrafamento por muito prossegue. O relógio parece rir em dobrados as gargalhadas da impotência sentida nas intempéries. A chuva não cessa. A água não escoa, faz transbordar as desculpas boiantes de bueiros sujos e fracasso na infra-estrutura, coisas de má gestão, coisas de má digestão. E tudo se passa dentro e fora. Muitos questionam o fora. Poucos cogitam o dentro, embora viventes de tanto centro, nada sabem, ausentam-se. Mas o rádio no carro parado na cidade alagada permanece tocando..."é só pensar em você que muda o dia"... seguida de..."apenas apanhei a beira mar um taxi pra estação lunar"...

*** 

Talvez a vida seja assim...

quando se pensa ter se feito em nó

é um nó de desenlace que desata.

 ***

Ela sai do carro a algumas ruas de distância, em pleno temporal. Como recorrente de si, a passos largos, desmunida de guarda-chuva por um esquecimento, absolutamente atrasada para o horário da prova. Entra no elevador tentando enxugar o rosto como quem acabara de sair do banho. Abre a porta da sala despreocupada com a impressão dos olhos alheios, já se acostumara em ser alheia. A professora a olha de cima a baixo, com os papéis na mão e os olhos arregalados pergunta se não prefere fazer outro dia, já que antes de começar a fazê-la precisaria, ao menos, torcer as mangas da blusa empapada. Ela pega os papéis sorrindo, sabe que a professora está no limite da entrega das notas, sabe da conquista de chegar ali, embora nada seca. De algum canto da sala, uma voz feminina pára de fazer sua prova para comentar a semelhança da imagem com a Noviça Rebelde. Ela ri do comentário... reconhece feito um espelho a tendência sarcástica do olhar quixotesco da menina que a reparara, coisas tão dissoantes mesmo assim possíveis em uma mesma personalidade.

Desce pelos corredores e suas escadas tentando se aquecer no cigarro. A calça jeans, já larga pelos dez quilos perdidos amando, seguidos dos dois quilos sumidos chorando, com a água que esponjara, parece vinte quilos ainda mais larga. Compra o tradicional pastel de berinjela antes de encarar as águas novamente. O frio a faz pensar em como o sofrera no ano anterior quando enviuvara, em como o sofrera naquele jardim a frente em tempos mais passados, e como o sofre esse ano em águas outras... como as dores são diferentes embora carreguem o mesmo nome, e como a de agora parece tragar-lhe feito um ralo, embora saiba a partir das anteriores da habilidade de ousar ir a frente acreditando ter força. Pensa não ser boa para os outonos, mas algo nela saudável deixa que a água desmanche o pensar. Por fim, retorna à chuva, desta vez desalargando os passos, não haveria mais o que poupar... melhor sentir a grossas gotas ter vida.

Uma senhora na rua oferece carona no guarda-chuva, ela agradece, mas aquele teto agora só lhe traria mais frio. Segue o caminho para o carro. Na contra-mão da calçada, a brincadeira displicente de um traseunte não agrada nem desagrada, Princesa, quer vir no meu guarda-chuva? Ela permanece em seu caminho para o carro, cheia de silêncio na tempestade. Mas bem na esquina do lar do passado, depara-se com a sombra do antigo e mal guardado ex-namorado. O que há anos repete que se o encontrasse o destruiria a farrapo do farrapo, o que lhe ensinara sobre desconfiança e desonestidade, sobre sabores amargos, o que a levara pela mão à quintais sombrios, de quem partiu se preferindo sozinha e em busca dos traços de si perdidos. Nada sentira. Nada. Esvaziaram-se os símbolos. Apenas uma sutil ironia em pensamento...quem foi a Eu que atolara esses passos passados? Deu as costas rindo feito criança na sirene de fim de ano. Permaneceu em seu caminho ao carro.

Ao sentar-se ao volante, era leve feito passarinho. No congestionamento do trânsito para casa, limpa como quem entrara na máquina de lavar vestida, percebeu o tempo no varal estendido. Pensou em Quintana, rememorou Pessoa, ardeu Drummond. A vida tem lhe feito severas provas, colará grau muito em breve diplomada nas arquiteturas literárias de seu subjetivismo. A dor presente prossegue... mas não há mais o que a remeta a dores anestesiadas, não há mais prognóstico de artrite precoce... então essa dor de hoje pelo vivido que a ulcera lhe é válida. Ela é mulher do tempo, permanece em seu caminho e vai envelhecer paquerando a primavera.



Impresso por-em Cris Ebecken As 16:07:46
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"Amar é fazer o Outro ser"

"Amar o Outro é aceitar o Outro, é consentir na sua existência, é poder ser Outro diante do Outro. E isto só é possível na medida em que o espaço transcendente que me separa do Outro deixa de ser abismo que me vai engolfar, se eu caminhar na direção do Outro, para tocá-lo e amá-lo.

(...)

O mundo convoca minha liberdade, na medida em que me oferece seu prodigioso espetáculo. O mundo existe para que eu o sirva, dando-lhe o espaço de minha liberdade para que ele seja. O mundo, com suas varandas, suas lanternas de cores, seus caminhos, sua terra ampla, seu mar, seu ar, seu céu. O mundo que me sobe à garganta como um soluço, o mundo que eu amo, sem poder amá-lo, pois se me ponho a amar o mundo, me perco, deixo de ser soldado, muralhas infinitas e transparentes me separam do sorriso do general que trago pronto dentro do peito. Amar é não mais obedecer ao general, amar é caminhar sozinho, direita, esquerda, norte, sul, esplendor sagrado dos astros ardendo à noite, quando é hora ou noite. Amar é perder-se. É não conhecer mais o caminho. É escolher a tontura do espaço livre, grande, inesgotável como uma enorme sede. Amar, enfim, é estar nascido, é aceitar o exílio sem o qual nenhum encontro é possível. Se amo possuo minha dimensão humana, encerro-me na minha fronteira de carne para poder transcendê-la com os poros de minha mão, na medida em que toco o Outro. Amar é estar no exílio que não é exílio porque é a véspera do encontro, é dispor-se ao mundo, é abrir-se ao rosto do Próximo, ao seu nome. Amar é dar nome ao Outro e, nesta medida, conquistar pela graça de ter dado um nome, o nome que se tem. Amar é ser. E posso eu?"

de Hélio Pellegrino, em Lucidez Embriagada



Impresso por-em Cris Ebecken As 18:46:51
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A crônica da mulher que foi...

pelas digitais dos toques

das inscrições impressas na pele

na arquitetura das palavras

derramada nas linhas dos dias

dos nós em vírgulas subtraídas

desatando passo a passo

os sentires não publicados

... em versos se desmaterializou.



Impresso por-em Cris Ebecken As 10:31:40
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A mulher frente ao silêncio. Não importa que nome teria, nem mesmo os contornos da face, é simplesmente a mulher frente ao silêncio. E ao abismo que ele cria ao se jogar ecoante, ecoante, ecoante... no que silencia. Das mãos não me atenho a pensar sobre as linhas. Dos toques não importam se quentes ou frios. Basta o silêncio. Ele cinde, faz o abismo, separa os sentidos. E poderia ser qualquer uma frente ao silêncio, mas sendo ela, escuta o dito na entrelinha do emudecido. Que seco racha a terra, e do outro lado, separado pelo abismo, disperso tinge a noite escurecida o que não teria criado o silêncio. Ela em um lado, e lá no outro, sem o face a face, o silêncio com suas sombras em contorno. E o que importa é o fato da mulher frente ao silêncio... que a silencia, pensando em como deve ser triste quem inventou o abismo.



Impresso por-em Cris Ebecken As 00:49:14
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Fortalezas no ontem, no hoje podem ser bambas.

Os frágeis de ontem, podem hoje serem os fortes.

Sem fantasias de fortalezas, sem recusa de fragilidades.

Aprender no rodopio dos ciclos...

Nobre é olhar-se de frente sem ser arredio,

afeto é o tom digno nas prosas consigo.



Impresso por-em Cris Ebecken As 16:07:07
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Águas tão quentes

saem de olhos vermelhos

e tocam o corpo frio

enrolado em dúvida sobre o verdadeiro.

Como suporia ser isso o possível?

 

Houve a rua do engano em alguma esquina não vista

escondida em palavras florindo sobre o inerte e frio.

Houve alguma mentira arredia de ouvidos,

um não estar vestido de presença imprevista.

Houve qualquer a mais avesso que a dor pesquisa.

 

Restou o conhecido vazio dos fins de semana,

um tormento passando revista na memória

galvanometrando fotos, verificando sinceridade em olhos.

Restou a força para seguir a vida

e a necessidade de desabar ao fim do dia.

 

Há e resta... feito o que perdura

sobre todas as coisas,

a estrada posta em dúvida:

caminho do amor em mão dupla,

ou ponte sobre o rio desamor.



Impresso por-em Cris Ebecken As 16:33:18
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Wesak. A lua cheia de maio. A cerimônia no Himalaia. A simbolização da consciência de Buda e Cristo interligando Oriente e Ocidente. O reverenciar da Luz e da Sabedoria. Ela sente a ciclicidade que envolve a vida novamente tão clara. Pensa em todos os símbolos, histórias, palavras, mitos, que já conhecera e estudara. E como essa lua tão azul representa o sair da escuridão, o fazer do caos a beleza harmonicamente equilibrada. Ela aspira por esse cheiar, aspira que seja para além do simbólico que perpassa a história com sua iluminação. Pois se inspira no tempo em que o amor se manifesta e por toda parte, e desde já estende as mãos como quem quer receber um presente, e sabe que para recebê-lo é preciso coração, pois se processa em si mesmo.

O entrar da lua cheia em Escorpião com o sol em Touro, acontece esse ano no próximo sábado, dia 13. Ela sabe que olhará o céu com seus olhos infantis de quem sempre tentou tocá-lo. Ela sabe que se sentirá tocada. Ela sabe, no fundo, que o bem se manifesta quando se coloca em posição de receptividade. Sabe que mesmo no escuro não se perde mais de si mesma, mas não nasceu para andar solta em bruma. Ela, com os olhos de poesia e mãos dadas ao jardim, com essa natureza de correnteza, no fluir se transmuta... e segue com seu olhar aprendiz admirando o sol se derramar sobre a lua.



Impresso por-em Cris Ebecken As 09:19:39
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Chove fino no Rio de Janeiro.

E a chuva que lava

o faz em agulhadas,

feito espinho.

 

Papelões sem casa se acodem em marquize,

acizentado é o teto das árvores...

nos carros há pára-brisas agitados

e há cortinas nas janelas semi-cerradas.

 

Mas eu

simplesmente caminho.

De que valem guarda-chuvas?

A vida não se guarda

nem aguarda.

 

Mãos ao alto! Assalto das águas!



Impresso por-em Cris Ebecken As 18:30:53
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Dos mistérios do por vir

resta sempre a única certeza...

mulher crescida foi feita ao prosseguir.

E a vida com seu carrossel de borboletas

só se abre a quem quer viver.



Impresso por-em Cris Ebecken As 21:50:47
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...



Impresso por-em Cris Ebecken As 17:49:02
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A última impressão do dia,

janela imprimindo a noite

nem sombra nem cortina

e uma lua não enquadrada escondida.

 

A primeira impressão do dia,

os raios cruzando a cortina

em sombra esvoaçante

a mesclar o que irradia,

imprimindo no acordar

os olhos chamando vida.

 

Impresso com todas as cores

em meus tecidos macios

está em mim a vida que palpita

e busca o melhor caminho.

 

Por mais que o melhor seja sempre subjetivo

e nascente e poente nos sentidos seja relativo,

o bem que me toca é minha medida.



Impresso por-em Cris Ebecken As 00:35:45
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Quando a alma mais pede silêncio... o mundo não pára, não te deixa, não te aquieta. Te solicita, te liga, te chegam os livros, te convocam trabalhos. Tudo irrita, é cansativo, é distrativo em desvio do ser de dentro que está em silêncio. Porque silêncio faz com que o tempo passe, transmuta as linhas feridas, deixa o só simples como só sempre fora. Silêncio é doloroso, mas é curativo... mas isso qual psicologia explica? Nada diz, porque é turbulenta e excessivamente conceituada, porque é feita de palavra em concreto tabuada.

Ela mastiga cigarro como se a fumaça abafasse as lágrimas. Ela digere palavras sem saber aonde se escondem as verdades. Bebe, sim, muito, muita água, na tentativa de diluir as núvens carregadas. Ela fotografa o canto aonde se refugia próximo ao silêncio das águas... mas nem a fotografia enquadra o que gostaria. Porque ela já aprendeu com a vida a deixar de lado o que gostaria quando o vento sopra água sem silêncio em ressaca. Porque a vida já a ensinara que mesmo quando deixada de lado, sobrevive. Ela é intensa, poética e catártica... talvez por isso o só lhe seja legado. Por isso o silêncio talvez lhe seja como maresia... vaporoso, suspenso, provindo do diluível.

Um minuto de silêncio. A alma anda poluída. E o frio que chega pede a ser tecida a colcha de farrapos.



Impresso por-em Cris Ebecken As 14:03:29
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Santa Helena

O vinho a postos na geladeira

no aguardo do momento de degustar os sabores

diluindo tormento, abençoando amor,

foi suspenso... foi suspenso...

 

Palavras pesadas vindas sabe-se lá de que vento

ruindo os tempos, diluindo sentimento,

cortaram a sala, fizeram avesso do bagunçado

e baguçaram o amor, embriagando o tempo,

fazendo tormenta.

 

Ela sonhava ainda beber do amor em taça,

ela esperava... esperava... esperava...

o brilho dos olhos dele, a tintura das suas palavras,

o aquecer do sentimento crescente no enlace...

o enlace único, só deles.

 

Mas ele chegou com os olhos tintos

e o tormento das palavras

e o sentimento no peito bagunçado.

E ele foi como quem bifurca na estrada,

e ela ficou com o tormento querendo o enlace em taça

proposto por brinde dele, por atitude dele tomada.

 

Na cama lhe visitara em sonho mais tarde...

ele falando do vinho

sem tormenta, só sentimento,

que queria em enlace ter com ela tomado

fazendo da casa boa taça em amor tinto bagunçada.

 

Mas o vinho ficou lá na geladeira

e as taças guardadas...

Ela sente tudo com o peito miúdo,

respira como quem quer o sonho como verdade.

Mas ele e o vinho nada sabem...

Que tintura dar a esse tempo?



Impresso por-em Cris Ebecken As 20:17:04
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"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida."

Vinícius de Moraes

 Ambos conheceram os portais sombrios das dores, enganos, quedas e recaídas. Ambos, um dia, por tempos que pareceram infindáveis, conheceram a face do triste e do sozinho. Ambos se reergueram com suas próprias forças minguadas... e não desejaram mais os sorrisos dos carinhos.

Mas houve a noite vermelha em que a vida fez o encontro... seguido do tempo do amor iluminando todos os cantos. E a vida ali, no universo do ele com ela era simplesmente a arte do encontro, nada de ponto, nada de desencanto ou desencontro.

Ela se fez melhor e melhor acreditando no sonho palpável, querendo ser melhor, se sabendo ser melhor. Ele, sem perceber, fez o melhor até um ponto. Fez dela melhor, dizia ela fazer dele melhor. Foram felizes como não sabiam que era possível.

Ela levou ele para todos os espaços de seu universo, fez dele o homem que a acompanhava, e até em pensamento se fez ir com ele. Mas ele, cheio das doses, dos ponteiros, das medidas e peneiras cautelosas, esqueceu de se fazer entrega, ou não pode, ou não quis. E não a pegou por inteira a levando para seu universo... sem perceber que encarcerado no próprio umbigo renunciava o ser feliz.

Então veio a noite no sofá do amor e palavras acarinhadas... aonde o amor fora substituído em campo sem estar lesionado ou lesionando, e para o time retirou-se a bola. E todo o tempo da torcida em festa foi abortado.

Ela se esforça para acreditar no desacreditado. Ele simplesmente foi embora. Das escolhas da vida, uma delas é o jogar a toalha...



Impresso por-em Cris Ebecken As 09:14:00
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A vida é comum,

as ruas, as janelas, o comércio.

A cidade adormece em seu zumzumzum silenciosa,

de sua pretenciosa rotina marginalizada

aonde os cantos ensolarados passam pouco vistos,

acende as luzes das ruas, apaga as das janelas.

 

Fui por uns dias colocar os pés no mato,

por trilhas de grilo sem grilo renovar os óculos...

colher lentes verdes por fervorosos olhos,

lavar lentes azuis de paz que inunda,

semear pensamentos no peito em lentes rosas,

receber as lentes douradas aquecendo as veias.

 

Porque a cidade por si é só a cidade.

Talvez se eu fosse comum,

quem sabe... 



Impresso por-em Cris Ebecken As 21:48:20
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Galinha caipira

a beira do rio,

meus olhos de mato

tem coração em assovio.



Impresso por-em Cris Ebecken As 09:44:43
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