
Chama, chama,
a vida chama.
É nascente, é unguento,
inflama, cura, esparrama.
É poente, convoca quente,
acende a cama.
Chama, chama,
pulso calmo urgente,
a vida é chama.
Impresso por-em Cris Ebecken As 13:13:48
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Caminha no jardim entre aromas e pétalas. Não. Caminha pela calçada entre traseuntes e carros. Vai descalça, com os pés tateando grama e terra. Não. Vai de salto equilibrando calcanhares e joelhos. Sente a brisa fresca e busca um banho na cachoeira. Não. Sente o vaporoso do asfalto e compra uma água na padaria da esquina. É singular e única integrada aos tons do jardim. Na verdade, é singular sim, mas é só mais uma face entre tantas no vai pra lá e pra cá da rua. Tem planos e sonhos, mas os que passam não sabem. É equilibrista entre desejos e realidade. Carrega uma curiosidade e uma dor olhando as janelas da cidade. Se amansa repetindo para si que um dia o caminho se abrirá além.
Ser humano tem seu encanto e sua tristeza... eis o outdoor que todos estampamos.
Impresso por-em Cris Ebecken As 12:02:04
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"Definição
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O corpo é onde é carne:
o corpo é onde há carne e o sangue é alarme.
O corpo é onde é chama:
o corpo é onde há chama e a brasa inflama.
O corpo é onde é luta:
o corpo é onde há luta e o sangue exulta.
O corpo é onde é cal:
o corpo é onde há cal e a dor é sal.
O corpo é onde e a vida é quando."
Affonso Romano de Sant´anna |
Impresso por-em Cris Ebecken As 21:05:44
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Cruzalheita

Vai a mulher com as mãos cheias de sementes,
olhando ao vento, liberando-as pelo tempo
pelas passadas do seu caminho.
Vai o homem, mãos atrás, cabisbaixo,
olhando os sulcos da estrada
e chutando pedras pelo caminho.
Serão as sementes pedras?
Serão as pedras sementes?
Saberiam os olhos se se cruzassem,
quem sabe...
Impresso por-em Cris Ebecken As 21:06:20
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- Farmácia, boa noite.
- Boa noite, vocês estão fazendo entrega?
- Até meia-noite. O que gostaria?
- Três caixas de tempo em comprimido 500mg, faz favor.
Impresso por-em Cris Ebecken As 08:49:11
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A fada da chave de ouro a olhava com olhos emocionados depois de ter a recebido com a delicadeza das palavras e a levado por universos e jardins encantados. Ela, ali, diante da fada, pedia mais um abraço, sem a menor vergonha, como criança na linguagem do afeto, como criança retornando o encantado. Ela, com os olhos segurando a emoção das águas, só conseguia olhar nos olhos da fada. Queria falar, queria agradecer, dizer que aquele tempo levaria guardado entre as mais delicadas memórias enquanto existisse caminhada. Mas a palavras desorganizavam feito infância, fazendo bagunça alegre e se expressando pelos olhos. As palavras tem olhos, na língua do afeto são as lentes do mundo, as janelas da alma, para todos, inclusive aos cegos... isso ela aprendeu com a fada.
Impresso por-em Cris Ebecken As 17:11:18
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"Os tempos mudavam, no devagar depressa dos tempos"
Guimaraes Rosa; A terceira margem do rio
Impresso por-em Cris Ebecken As 15:26:49
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Sem Ás de Copa(s)

Venderam o Brasil.
Não! O Brasil foi vendido.
Ou melhor, o Brasil se fez vendido
a bagatela na feira, na tenda das bananas.
Comeram o Brasil.
Não! O Brasil foi comido.
Ou melhor, o Brasil se fez comida,
repetição histórica carcumida de pés europeus.
Uma grande vaia a imagem da falta de raça.
A torcida embranqueaberta grita falta!
- tua torcida chora, Brasil, na senzala.
Brasileiro é outra coisa, outras... não isso,
e outras, quem sabe, depois disso.
Volta pra casa, Brasil!
Se repensa na tática...
Impresso por-em Cris Ebecken As 12:45:02
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"Há tanto o que transar com a poesia
que tenho estado com ela sem nenhum projeto de anticoncepção
falá-la então é o VT desse sexo explícito de procriação
com direito a prazer em gozo em cada dobra de rima"
Elisa Lucinda
Impresso por-em Cris Ebecken As 12:11:43
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