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Rio de Agosto 2006

Trânsito e chuva nos alagamentos esquinais cariocas

confundem a cuca, mais caos.

O sinal fechou, motorista, vê se não prende o cruzamento,

olha o menino com tanto malabarismo, quando se achega no vidro

pedindo gorjeta, levanta a blusa, gesticula as mãos abertas,

olha a senhora passando lenta no guarda-chuva, não acelera parado,

vem junto uma criançada desfilando a logo da prefeitura.

Olha, repara, esse tempo danado azucrina o tempo da gente.

Mas não distrai do ponto imprudente, nem fresta de vidro com vento.

O sinal abriu, motorista, vai na pista que é pista,

deixa de malandragem, se só há dois espaços com faixas.

Anda. Deixa o celular, olha o guarda atrás da árvore.

Olha, percebe, parece rio fechado, numa pressa que a água atrasa,

mas tudo aqui vai atrasado... e fechado, nas janelas, nas vidas, nas caras.

Calma, Seu Motorista. Já já chega setembro,

a primavera e o céu azulado, e a gente implora por água, da praia, claro.

Aí a gente conta o tempo apressado pra chegar logo o trânsito do feriado,

porque quando tudo fica mais claro, não menos difícil de conduzir,

então se quer água de rio, não Rio, e se aperta um dinheiro e sai foragido. 



Impresso por-em Cris Ebecken As 19:21:34
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Esquisitices humanas nada a parte, há uma caduquice dos tempos imperando, tão calcada em carimbos e vestimentas umbigolinos, que entendo não. Por estudos até compreendo, por estudos até me são palpáveis em dissecção, mas entender mesmo, me sentir parte, faço não. Vejo escolhas no vazio, vejo escudos forjados em rótulos, títulos, papéis. Vejo um imenso sofrer por um lugar ao sol não identificado, pré-concebido e estipulado, e uma venda estranha dele nas quitandas da imagem como se ali estivessem, a custo de altos suores, o alimento do preenchimento. Tantas são as pessoas que já me sentaram a frente, em meu trabalho, em busca fora do que faz eco dentro. Se alicerçam em um grito desesperado de estabilidade, mas em tempos de instabilidade, de que vale nadar contra a corrente? Estável não seria saber que a vida é instável? Que estabalidade ou segurança alguém pode manter naquilo que não lhe é autêntico? De que servem certos padrões quando os pilares de uma época anterior já ruíram e eles eram tijolos dela? Para que serve a vivência no estático, se estático mais parece uma fotografia ou um monumento de algo do passado que não caminha? Humano é isso? Para mim não.

Sequer acompanho a grandeloquência das necessidades criadas. Vejo tanta senzala pintada de casa grande. Vejo uma beleza simples passar desapercebida. Sim, simples. E ela sim me toca em dimensão. Não nasci com código de barras, nem tenho fome de etiquetas altas. Para ser já me basta ter nascido e assim seguir coerente ao meu caminho. Simples. Andou se apimentando este sabor nos meus dias. Talvez por isso meu trabalho seja da dimensão do descomplicamento, no pequeno se for medido por esses valores que circulam aí fora, no simples e no afeto. De resto, faz parte suar pelo sustento, mas a forma de costurá-lo em meus sentidos que me atenta, não é preciso encarceramento... ser humano é coisa da natureza, e como ela, fluido, móvel, renovante, desde que fiel a si.

Rio é água doce em corrente, roseira dá rosa. Imaginem que coisa caótica, se no jardim a moda em vigor fosse escama, e no rio os parâmetros aos peixes fossem roupas de pétalas... Imaginem um pouco mais, se cada rosa se ativesse apenas ao próprio tom e pólem e sequer ao vento e ao céu se integrasse compondo o jardim entre alfazemas, margaridas, alecrim, e as abelhas mergulhassem nos rios pela abelha-rainha ter ditado a ordem das nadadeiras, e os peixes vivessem apenas em tocas tentando se enraizar às margens...



Impresso por-em Cris Ebecken As 11:00:32
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Diretamente da FLIP - Paraty com chave de ouro

"A verdadeira linguagem da poesia é religiosa, porque ela me religa a mim mesma"

"Diante do símbolo não tem discussão, é como discutir com a rosa no pé"

"A poesia me honra, me eleva e me consola por causa da sua significação"

Adélia Prado



Impresso por-em Cris Ebecken As 19:33:04
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Deixa o mar dar o tom fluido do caminho,

deixa o sol deitar tingindo e acordar acreditado,

nos passos, na cama, nas casas, nos sonhos.

Tudo é possível quando se tem carinho

no sentir os pés na terra da vida, que dá a vida.

Pois embora existir não caiba na ilusão por contos de fada,

pode ser bonito, se pelo que vem de dentro guiado.

A vida não precisa da guerra, nem da miséria ou dos fins

para ser valorizada. A vida é a vida como se faz,

está aí para todos, pedindo ser iluminada.



Impresso por-em Cris Ebecken As 13:29:42
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