
Metáforas, analogias, paralelismos poéticos da mente. Ela olha tudo a volta, sobrevoa tudo que a circunda. O próprio pousar sobre mãos ignora a natureza equilibrista das mãos humanas, não se preocupa com a natureza de que o que afaga também fere. Pousa por encanto, encanta pousada. Mas sua beleza maior é viver sempre entre o céu e a terra. É tempo calendaricamente marcado de reinícios. Mas ela pouco disso sabe, cada batida de asas já lhe é uma sequência infinita de inícios. E assim segue... o horizonte do pouso é o destino do vôo, a beleza do mistério.
Impresso por-em Cris Ebecken As 11:43:47
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Com sua alegria no ápice dos seis anos contados no dedos, ele a parou na porta de seu quarto. Pediu que esperasse, tinha um presente. Voltou sorrindo estendendo um saco azul da escola, agora a chamando para entrar em seu quarto. Sentaram na cama, ele com seus olhos espichados, ela com dedos delicados abrindo o que recebia. Olhou seu calendário pendurado na parede colando imagens sobre o passar dos dias de dezembro, também arte da escola. Ele acelerando, pedindo que abrisse logo. Ela entretida com a graça de seus olhos. Por um tempo relâmpago de vários segundos, o menino serelepe repousou calmo sobre seus ombros, enquanto ela tocava o papai noel que retirava do saco. Havia o feito na escola. Estava antes decorando a lâmpada na tomada. Era dele, coisas dessas que crianças costumam ter apego. Ele à doava.
Segurando o papai noel ganhado, feito com algodão, papel vermelho, pilô, ela não sabia como aceitar... era dele. Mas ele repetia, É seu! É seu! É meu presente! Deitou sobre seu colo, pacato como pouco de costume, contou-lhe como fora feito, repetia ser seu presente, que à estava dando, que se chamava Nicolau. Ela o ouvia acariando o cabelo, pensava sobre o presente que gostaria que ele ganhasse, sabia que o conseguiria... mas ficara pequeno demais perto daquele papai noel. E o Natal se fez assim, fora da data marcada, naquele momento que viviam juntos, no afeto.
Impresso por-em Cris Ebecken As 21:41:53
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A menina, moçante em seus tempos de fermento, desenha corações nas batatas e em seguida entrega ao avô para descascá-las. O faz em enorme capricho, com meticuloso cuidado nas linhas, assim como alguém fazendo magia, feito fada em seus rodopios. Seu avô paciente espera que entregue sua arte. Pouco percebe da graça que é observada. Crescente são seus dedos, crescente se abrem seus caminhos. Lembra, espantosamente, a menina que fui, com os olhos no mundo da lua, em tudo que podia colocando decalques de poesia com a caneta.
A menina é crescente. Descobriu por agora a porta do quarto como a ponte que a sossega em seu mundo em desenvolvimento. Tem olhos redondos feito a lua, sorri brilhante quando lhe chega um carinho. Tem uma vivacidade que só Deus explica. Andou ropiando pelo palco com a delicadeza dançante de seus traços. Já lhe emprestei livros. Já cantamos e contamos histórias juntas. Temos em segredo um amor imenso por alguém que só queremos feliz. Sempre me causando bons arrepios, como se em algum momento da coreografia já estivesse compassado o encontro dos nossos versos.
Fotografei suas mãos ágeis desenhando batatas. Essa linguagem que só ela sabe o significado. Essa possibilidade de significado que me reportou às minhas construções de significados. Ela talvez não saiba, eu ao menos só fui saber tão além... esse tempo é mágico pelos princípios dos sonhos a serem impressos na pele. Não importa como a sabedoria do tempo descasque, prepare e cozinhe... apenas que ali corações foram inscritos.
Impresso por-em Cris Ebecken As 20:22:28
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Há uma força maior a governar tudo, abrindo o percurso, iluminando o encontro dos lugares. Há essa incognita certeira apelidada Tempo. Há algo assim, comumente falado destino, brotando os pares, circundando a existência, dando sentido a cada respiro de vida. E há a totalização, a vivência do Amor.
Impresso por-em Cris Ebecken As 20:57:52
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Porque na cartilha de 2006 estava escrito: É doando que será presenteada
Força, a palavra do ano
Amor, a magia que se manifesta

Chegou na casa da amiga com um presente confeccionado pelas próprias mãos aonde se encontrava o mais significativo do ano vivido. Lá já se entremeavam mulheres em burburinho desejantes pelo momento do sorteio aonde uma presentearia à outra e à todas com aquilo que aprendera na matématica desses 12 tempos caminhados. Sim, mulheres tem coisas assim, e quando inventam de se juntar, a troca sai na medida do inesperado e exato.
Sua palavra a ser carinhosamente doada era Força, com tudo arranjado em par, com tudo trançado em amor. Pediu para ser a primeira, como de sua natureza, e contou sua história da Menina chamada Esperança. Foi assim o início do ciclo. E uma a uma foi entregando à outra aquilo que levara. Presente a presente, Deus se fez presente. Sim, só poderia ser coisa de Deus a forma em que o passar de mão em mão, de sentidos em sentidos, tudo se encaixava como luva.
Foi a última a receber... e lá estava: "Sonhos, Realize-os", junto a uma história de viajar para encontrar a família. E magicamente a força se fez renovada... junto a frases aumentando suas certezas sobre o caminho que se abre, abençoada com "Maktub - está escrito". Há de se saber sempre agradecer o valor da vida... pois o vivido, só quem vive sabe.
Que venha 2007, com a força do amor tornando Sonhos Realizados...
Impresso por-em Cris Ebecken As 11:25:05
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