Extraídas Impressões Impressas

 


Reconhecer na existência a beleza dos encontros, pode não ser fácil. Compreender o caminhar dos tempos e o que a vida dá ou tira, pode ser um equilibrismo sobre a insanidade. Mas amar por amar é um ato de coragem... fora das fronteiras do racional. Viver não é uma maquinária sincronizada, é ser livre em si para fluir, é ser da beleza a coragem.



Impresso por-em Cris Ebecken As 11:06:32
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Conjuga-er

A Lapa é e não é mais a mesma, talvez nunca tenha sido, talvez sempre seja de acordo com os tempos. As multidões nunca são as mesmas, são em si sem ser. O samba é sempre o samba, continua sendo, mas em cada vivência tem seu jeito de se fazer. As memórias e a forma do agora vivido é de cada um, uma mera questão de ser e se fazer. Tudo um dia é e noutro deixa de ser. Para ser outro, se fazer ou refazer. Só a política entre os homens continua a mesma... ou talvez nunca tenha vindo a ser... ou a se fazer... ou a se refazer.



Impresso por-em Cris Ebecken As 11:23:27
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Uma pessoa é capaz de ter faces ocultas que até ela mesma duvida.



Impresso por-em Cris Ebecken As 17:36:30
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Da série METROLHO

3

Entra o senhor pela porta do vagão. Leva na mão a simplicidade de três rosas. Uma vermelha, uma rosa, uma amarela. Sem embrulho nem laço. Onde irá com as flores? Não leva relógio ao pulso, não percebe as estações que passam. Chegaria a tempo, ou o tempo já não mais valia? Que ternura carrega nos dedos envelhecidos, na fragilidade do palpar rosas?

Toda mulher a volta, de si se desenvolta e repara. Quantas delas já haveriam perdido a ilusão de que um dia lhe chegariam flores? Quais escondem a fé no peito da sinceridade das pétalas? Há uma brutalidade tão grande no correr dos trilhos... e sonhos, feito pergaminhos secretos, cristalizados em cada par de olhos.

De que tempo saíra e para qual se encaminha o senhor com as rosas atravessando as portas do metrô? E um sax toca na descida da estação, para ninguém, ou para alguém que pudesse ouvi-lo. Quem sabe uma sensibilidade empedrecida floresce em algum sonho adormecido de quem viu o senhor das três rosas... quem sabe o tempo revela o sentido de suas lacunas e a vida seja mais que o correr frio por entre estações.



Impresso por-em Cris Ebecken As 15:02:12
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Da série MA(R)ITMO

4

Quis correr o risco

de uma vez por todas que lhe valia a vida,

mergulhar de seu precipício

tocar com os dedos o abismo

do integrar-se em paz.

Mas antes mesmo do risco

uma força maior que o perigo

tombou entoando o hino

da vida diluindo no mar.



Impresso por-em Cris Ebecken As 14:53:17
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Fez com que todo o mundo lá fora silenciasse e reabriu a primeira folha do livro. O perdido, passado sem ressaltes pelos olhos da menina que fora quando o lera, agora no percurso da sentésima página se fazia achado como se as letras lhe penetrassem garrafais. O que o tempo faz com a percepção da gente?, era o que se perguntava. Quando lá atrás era preciso tanto de caminhada para a compreensão de particularidades da existência metaforicadas em linguagem infantil. E aquela história jamais saíra de dentro de si... precisava apenas, naquele momento de dor deixar a dor de lado e buscar a essência do semeado no laço, na conjugação do cativar, a resignificação da rosa e sua representação.

Leu até o fim, sentiu letra a letra. Pensou no Pequeno Príncipe que saiu de seu asteróide em busca de troca, descobrindo naturezas humanas solitárias, presas a poder, medidas, regulamentos... quando já tinha a sua rosa, com sua natureza diferente que o fizera ir em busca de outros espaços. E depois de tanto percurso aprendera para a volta sobre a essência do valor construído no vivido.  Foi dormir abraçando o travesseiro sentindo paz... havia a vivência da rosa e a clareza da raposa.

Segue a ilustração junto ao trecho do diálogo da Raposa com o Pequeno Príncipe, de Saint Exupery

"(RAPOSA) Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

(...)

(RAPOSA) Vais rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.

(...)

(Pequeno Principe - para as rosas) - (...) Minha rosa, sem dúvida um traseunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei no paravento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

(...)

(RAPOSA) - Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos." 



Impresso por-em Cris Ebecken As 23:16:58
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O principezinho da estrela distante, que povoara sua mente desde a infância, deu de regressar-lhe em todo canto de vento. Aparece de supresa, chega sorrateiro, se estampa sem sossego. Há em seu desenho aquarelado um cheiro de substâncias vivas, de vida impressa entregue aos sabores diversos de suas formas a serem vividas.

Pega seu velho livro com o temor dos dedos curiosos, o que haverá de novo, escondido no pagear da história, pedindo a ser em si reescrito? Encontros consigo lhe soam por agora como o caminho às pontes do universo. Encara a capa enriquecida de tempo. Se acomodará no conforto do desassossego para relê-lo calmamente.

Sente, não sem dor, que provavelmente encontrará o regresso à essência.



Impresso por-em Cris Ebecken As 18:06:32
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- Quanto custa revelar esse tanto de fotos?

- Quanto te vale cada uma dessas memórias?



Impresso por-em Cris Ebecken As 16:52:57
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Escorre os olhos sobre as palavras carinhosas do email desejando-lhe alegria. No final do texto a pergunta: "Já encontraram o apt dos sonhos?". Escorrem os olhos. O termo dos sonhos lhe embrulha as lágrimas. A utilização do plural arde. Sente vergonha. Vergonha de si, consigo. Vergonha por ter permitido que o espírito quixotesco dos sentimentos lhe tomasse a alma, enquanto Sancho na penumbra cavalgava a espera do ápice do momento da entrega, da vulnerabilidade.

Há tanta coisa que embaralha os olhos, feito lança acertada desfolhando o vivido. Fica em silêncio frente as palavras, silencia sobre a improbabilidade dos atos. Deveria ter mantido Quixote preso no livro. Deveria ter queimado toda a miudez de Sancho. Deveria apenas ter sido tão entregue se as ações fossem claras. Mas nem sabe, pareciam, acreditava. Tudo escorre embaralhado em meio ao fel de ver os sonhos virados ao avesso, em meio a dor de não ter se percebido com véu, ou sem.

Os votos de alegria vêm acompanhados de "como você merece". E isso é tudo que anda se perguntando, revendo os próprios atos, sem poder crer nos atos alheios, se perguntando...



Impresso por-em Cris Ebecken As 16:33:55
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Parafraseando...

A vida é a arte do engano,

 embora haja tanto desengano pela vida.



Impresso por-em Cris Ebecken As 15:17:34
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