Extraídas Impressões Impressas

 


"Todos são de coração

folião de carnaval"

 Já teve seu Pierrô, já teve seu Arlequim... carnavais passados. Como tudo no tempo é ritmico e cíclico, lhe chegou o carnaval outra vez. Ela Colombina, nada colombina, se olhou bem na hora de se vestir. Colocou a roupa mais ela, seu cordão de borboleta, fez graça pro espelho, aqueceu o tamborim que leva no peito. Foi pra rua feito criança na sua primeira folia. Atenta ao feitio das máscaras e aos segredos das costuras das fantasias, requebrando seguiu com fé na cara limpa. Pensando, agora só assim. Cantando, "mas é carnaval".



Impresso por-em Cris Ebecken As 20:38:40
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"e se acaso der saudade

por favor não dê na vista

bate palma com vontade

faz de conta que é turista"

Chico Buarque

Das Inevitabilidades

Recordar não é viver. É ver de novo, outro, novo. Transformar a condição de memória, retirar do formato recordativo, como quem naturaliza um turista ou desnaturaliza à condição de turista. Limpar os símbolos achados guardados escondidos, trazendo à tona das linhas as entrelinhas, sem medo da falta de juízo nos sentidos. Das inevitabilidades é preciso essa falta de pudor para ressignificar os lugares do que já fora vivido, aplaudindo a coragem de criar o novo. Saudade pode ser algo sorrateiro a espreitar-se nas sombras do que poderia ter sido, melhor olhar de frente, encontrar o que fora perdido, perder o que fora encontrado. A originalidade do viver não é da memória, é subverter o hoje sem medo de andar despido. Cale o descrito, ou previsto, ou prescrito. Dê voz ao que escreve agora.



Impresso por-em Cris Ebecken As 12:02:27
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Universal ou Eterno?

É nos momentos mais rotineiros e simplórios, como tomar o café da manhã fumando um cigarro, enquanto se vasculha as notícias do mundo, que o inusitado bate a porta. Está lá a manchete das letras garrafais engarrafadas: Achados esqueletos de casal sepultado abraçado. Sim, letrinhas em negrito arranjadas assim, fazem os olhos garrafais e engarrafam impressões. O casal achado, parece datar de 5000 a 6000 anos atrás, a arcada sugere neles uma mocidade, e a impossibildade temporal de se achar enterradas junto suas histórias é um convite ao devaneio.

 Que casal seria esse? Ou melhor, seria um casal no sentido subjetivo da palavra? O que os levou, ao momento em que a vida finda, a ficarem simplesmente abraçados? Como podem esqueletos de tempos intangíveis transparecerem na organização de seus ossos uma doçura, uma qualquer coisa da esfera de um acolhimento, de um amor, de um cuidado? Sabiam naquele momento que o fim ou o não fim se apresentava? Ou estavam ali em carícias, sentido o tocar do universal ou da eternidade, sem perceberem que a existência dos sentidos da carne por um fio se cortava?

Muitos casais já fizeram juras eternas. Tantos logo depois se separaram. Tantos se alongaram mais um pouco, mas morreram separados. Alguns foram fiéis em si por todo tempo de uma vida de mãos dadas, e quando um deixou de existir, pouco depois o outro fora atrás. Não há novidade nenhuma nessas realidades. Mas observando bem a foto dos esqueletos arqueológicos, há um perceptível humano não decomposto na posição de suas cabeças, na posição de olhos nos olhos, mais as pernas entrelaçadas. O que se diziam aqueles olhares? O que ficou naquele para sempre impresso aos homens que milênios depois o encontravam?

Histórias podem ser muito bonitas, ou trágicas, ou mesmo sem tanta graça. Histórias morrem, sem jamais terem sido igual a outra. Haverá sempre um não saber resguardando as histórias. Pois o tempo brinca sem medidas com a seletividade da memória. E a verdade é uma para os que vivem, e outra para os que inventam... sempre. Bom dia, qual a verdade da sua história que valeria ser achada?



Impresso por-em Cris Ebecken As 09:36:50
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Foi ouvir a serenata da lua. Fez-se nu da própria música, percebeu. Ele de barro endurecido, esquecera dos dedos de artesão que a tocara nua. Ela sempre estivera ali sem jamais ter estado. Ela sempre fora de natureza remodelável pronta a lhe caber aos cuidados, a estar-lhe ao lado. Ele preso na forma que não sabia o que via, não compreendeu que minguar ou crescer era uma escolha de caminhos. E agora os dedos rijos, o que fazer? Ela não estava na prateleira, mudava a face e para ele ficava oculta.



Impresso por-em Cris Ebecken As 10:33:10
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Da série METROLHO

4

A moça da estação já não tem ares da mesma. É mais moça que qualquer tempo antes, e mais velha que qualquer um suporia. A bagagem extraviada em outro endereço. A roupa do corpo transformada em veraneio. Parece olhar a tudo com outras minúcias. Escuta o silêncio da vida nos trilhos, largou na Igreja a incoerência. A moça na estação já nem sequer se encontra ali, pegou outro caminho, desescolheu o subterrâneo. Foi colher ser escolhida.



Impresso por-em Cris Ebecken As 10:11:39
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Da série MA(R)ITMO

5

Uma brisa sorrateira chega vinda do mar,

paira por entre a núvem espessa

e ela a embalá-lo no colo.

Suspira baixinho no mais cuidadoso silêncio

 

- ah, meu menino... filho do tempo feito peregrino,

que esse mar que nos envolve, abençoe sempre teu andar.

- ah, meu menino... que o tempo saiba como te desenrola,

cresça em si, cresça sem medo do amor,

amar é o embalo do caminho... meu menino.

 

E a brisa marítma permeia todos seus poros,

adormecendo no embalo do colo

baixinho, cada vez mais baixinho,

ninando suspira

 

- ah, meu menino... Deus nos olhe,

que meu amor não te falte hora, meu menino.



Impresso por-em Cris Ebecken As 18:31:54
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