Extraídas Impressões Impressas

 


Respeite o outro no espaço dele de ser. Se respeite na coerência ao próprio espaço. Saiba aonde ficam as linhas que separam. Não se camaleie numa invasão. Não invada para ter o que é do outro livre no ser. Admire as diferenças, aprenda nos contrastes. Não é preciso julgamento... mas como muitas relações andam esquizofrênicas, em tanto resignificadas por propostas umbigolinas, analise sim as tentativas de pontes. Um ser humano é aquilo que age, por isso tenha discernimento no coração. Siga na sintonia que lhe cabe, sem dúvida para se retirar do campo das interseções persuasivas ou perversas. Não tenha medo de ser... mas não esqueça do respeito. Porque de resto, nada é tão sério. - eis a impressão que a vida mais tem me feito alerta.



Impresso por-em Cris Ebecken As 10:52:02
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SOS

É preciso, urgente,

alquimizar receitas

e especiarizar tempêros,

que essa vida que leva a gente

está a um triz de incêndio.

É preciso, desmedidamente,

não botar veneno em forno quente

nem desperdiçar açúcar no formigueiro.

Será que alguém escuta ou entende?

Dá pra gente mexer o sabor junto

e fazer diferente?



Impresso por-em Cris Ebecken As 10:51:36
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- Meu Deus! Você por aqui?!

- Pois é... de tempos em tempos eu voltava.

- Poxa, eu nem imaginava...

- Preferia ver sem ser visto, mas agora... na próxima vinda a gente marca?

- Acho que hoje eu vim mesmo só para me despedir...



Impresso por-em Cris Ebecken As 14:03:05
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Depois de ver quebrar-se tudo que havia de vidro por suas prateleiras, estantes e armários, sentiu paz desdoída. Agora provavelmente haveria espaço para o que era matéria da própria matéria... ou simplesmente diversões plásticas, não lhe importava. Já estava feliz por ter se descoberto coração reciclável.



Impresso por-em Cris Ebecken As 13:37:13
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-Afinal, que instrumento você toca?

-Eu só toco o que me toca.



Impresso por-em Cris Ebecken As 13:17:37
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-Vou sumir no mundo!

Foi sua primeira frase aos olhos arregalados que a cuidavam. O tom deixava claro a força com que coisas se arrebentavam por dentro, e a faziam arrebentar com palavras feito carta extraviada. A frase cuspida era ainda por demais pequena perto do que refletia ter se rachado... rachassava sem endereços tudo aquilo que subia das profundezas à superfície. Às vezes ser é de uma aridez vazante. O sumir no mundo solto no grito, mais parecia o anúncio de que viria a abandonar os desertos que ela mesma construíra carregando grão por grão de areia. A intensidade do "vou" era a garantia de que se libertaria. E foi sem avisar o caminho...



Impresso por-em Cris Ebecken As 11:56:09
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Dos antropofagismos contemporâneos...

"Decifra-me ou te devoro", sussurava a esfinge silenciosa dos olhos dela. Mas ele, absorto pelos próprios assombros, devorou a si mesmo. Ela, na tranquilidade do sorriso distante, lembrou de um outro, aparecido em um entre-rascunhos dele, que a comparara aos olhos de uma medusa. Respirou em paz... sua natureza a poupara de ser devorada.



Impresso por-em Cris Ebecken As 10:54:14
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Aproximou-se sorridente em tom amanhecido manso:

- Bom dia, já sabe o que vai querer hoje?

- Hmm...

- Olha, acabou de sair bolo de inteligência e pastel da fortuna.

Deu-lhe uma piscadinha. Mas ela com uma pestana:

- Os sonhos estão fresquinhos?

E a resposta brotou no grito do pedido além balcão alarmante a todos a volta:

- Ô chefe! Manda sair sonhos novos e café preto bem acordado pra essa daqui!



Impresso por-em Cris Ebecken As 09:10:42
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Ele a olhava com uma dor funda que fingia não doer. Perdia os olhos nas palavras, falava o que não sabia por cima do que ela lia debaixo dos movimentos de suas sombrancelhas. A noite era clara e obscura. Ingredientes adulteravam a massa a meia luz. A receita era subvertida com doses razoáveis daquilo por ela escrito que não poderia ser escolhido para o forno pré-aquecido fazer crescer. Mas ele, na escuridão fina em que se equilibrava, descartava seu conhecimento visceral da receita, já não mais complicada do que ele. Ela, com a calma de nunca, reconhecia nele o que fora um dia, soprava-lhe pó de perdão sobre a nuca, mas permitia se perder. Ele escolhera o caminho mais sinuoso para olhá-la como mulher, e suas razões mais escuras eram exatamente as que melhor ela sabia ler. Não fez movimento algum de acender-lhe luzes... não fora nesse papel que a buscara. Deu-lhe da doçura que podia de acordo com a fôrma por ele levada para a massa. O mistério do cheiro saindo do forno era o alvo da bagunça nebulosa de suas palavras, que tentavam esconder os olhos que ela ouvia. O amor que ele a ensinara, e agora detinha entre os dedos escorregadio, era o que a mantinha em paz de espírito. O observou sair pela porta milimetricamente pelado... enquanto se supunha vestido.



Impresso por-em Cris Ebecken As 12:20:38
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Precisava dormir. A maquinária neuronal pedia que os botões fossem desligados. Já havia desenvolvido o hábito de toda noite tentar ajustar os dedos em acordes nas cordas. Mas naquele momento, nem sombra de pestana, a sonoridade dos pensamentos cantarolava: já pra cama. Se entregou e se integrou sem dificuldades e sem pensar em dias e datas à música do quarto. Lá rendida, cedo a noite tecia o descanso. Mas como nada de fato basta ou se completa no satifaz, acordou de sobressalto às quase quatro da madrugada. Foi um violão que lhe invadira o sonho trazendo dentro o seguinte recado: leia a música. Fez charminho para os travesseiros até às seis da manhã, quando a luz já vinha raiando. Espichou os olhos além janela e por um instante teve a impressão de que toda a paisagem, casas e prédios haviam se realocado. Se levantou certeira na voracidade do café pensando: se liberar do pensar é uma arte.



Impresso por-em Cris Ebecken As 08:30:24
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- Tia, você é especial?

- Especial como?

- Como eu, ou você vê como os normais?

- Sabe com que olhos eu mais gosto de ver?

- Quais?

- Com os do coração. Fica bem aqui, ó.

Pegou a mão da menina colocando-a sobre o peito.

- Aqui tem olhos?

- São os mais confiáveis.



Impresso por-em Cris Ebecken As 15:05:23
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Vê a flor amarela

que miudinha ali desabrocha?

Não é pequena, são seus olhos.

É grande feito o sol,

todo dia se renova,

todo dia fica maior que o céu além janela.

Não importa aonde se vá ou se esteja,

a existência fica maior quando se leva

uma flor semeada na alma.



Impresso por-em Cris Ebecken As 22:05:21
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