
Em parte das vezes é estranho e em algumas confortante perceber o que o tempo faz com as pessoas e as relações. Ou seria, na verdade, no que cada um, em sua sequência de atitudes e escolhas, se transforma ao longo do tempo? Quantos se perdem de si feito cadeiras viradas sobre a mesa no encerramento noturno de um bar. Qual a função assim, senão o não ser no que se é? Parece haver em cada ser humano, impresso nos traços e sulcos da pele, denúncias do que fora um dia e confissões sobre ter sido leal as próprias verdades ou não. Dependente do rumo nas bifurcações, memórias são descobertas com alegria ou extraídas por uma libertação. Luzes se apagam simplesmente sob a poeira do tempo... nessas horas, parece ser fundamental não guardar o movimento. Despreender-se das estranhezas faz bem, renovar os espaços do pertencimento mantendo somente o que aconchega o espírito também. Olhar tudo a volta, hoje me gera um desejo quase oração... que saibamos todos, ao menos algum dia, da responsabilidade sobre as próprias medidas.
Impresso por-em Cris Ebecken As 21:14:23
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- Posso tirar sua sorte?
- Nem pensar! Me deixa com ela!
- Espera, você não entendeu...
- Entendi, por isso não espero.
- Mas você não quer saber o que te guarda o futuro?
- Prefiro as descobertas do hoje... sorte não espera nem se guarda, acontece.
Impresso por-em Cris Ebecken As 20:26:18
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Da série Damas e Cavalheiros - 1

Enquanto os dias burburinham descompassados, um casal ensina samba.
- Dama, feche as pernas - orienta ela - Deixa o cavalheiro te conduzir mantendo a sua graciosidade.
- Dama, tenha paciência com seu cavalheiro - ele aconselha.
- Porque, dama - pondera ela - você tem que se saber especial no seu próprio eixo.
- Porque o cavalheiro de agora - ele completa - pode vir a ser um grande, talvez o maior, companheiro... quem vai saber?
E só a turbulência da vida sem cadência não pode ouvir. No samba a dois flui bem claro... a beleza está na cumplicidade entre a condução e a parceria.
Impresso por-em Cris Ebecken As 13:02:54
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Percepção repentina acompanhada de um frio quente pela espinha. Pela primeira vez não estava ela de agente querendo correr o tempo. Era ele mesmo, o tempo que a corria. Sua paz quase infantil fora interrompida pela necessidade de varrer a casa, uma tentativa instintiva de acompanhá-lo, já que entrava por dentro varrendo em vento, desformatando, fazendo limpo um outro ciclo iluminado por raios azuis da lua plena. E agora?! Palpava a brandura intuitiva. Preferiu sentir no lugar de prever. Sempre quisera amigar-se ao tempo, e naquele momento ele vinha para conduzi-la.
Impresso por-em Cris Ebecken As 15:12:04
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De repente se viu ali, bem de pé frente ao possível. Os olhos sequer piscavam... podiam palpar todas as texturas de uma realidade boa.
Fora sonho sonhado, sim, coisas dessas que se fala "quem sabe um dia", e esse dia, por ser posto como sonho era coisa longe... mas quando viu, o desencarcerara desse status tendo caminhado para outro ângulo. E agora dependia só de si para realizá-lo, na verdade, concretizar-se.
Impresso por-em Cris Ebecken As 10:25:51
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