
Ele fecha os olhos às dores de fora,
cantarola por dentro o abandono do desaconchego
como quem cansa da solidão vazia dos pares variantes
e busca no deus de si o que o identifique.
Ele quer beber do vinho, criar uma história nova,
pescar a calma de se achar em um par de olhos.
Ele é caça de palavras no labirinto dos riscos,
vive em rabiscos do que gostaria de dizer
e distraído acabará se inscrevendo a palavra coragem.
Assim, depois de despreender-se dos passos percorridos,
em seu silêncio sonoro algo despertará seus olhos,
bem ali a frente, no mesmo momento,
ela abrindo os olhos feito paz florindo.
Impresso por-em Cris Ebecken As 15:30:20
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Amanheceu leve feito passarinho. Diferente da ressaca prevista em frio debaixo das cobertas. Havia um calor de paz acordando com o céu azul. Foi assim de leveza fazer o café para o primeiro sabor do dia. Na espera do tempo da cafeteira, regava as plantas. Fitou em silêncio o que cuidava, e se identificou de tal forma com aquilo que uma compreensão doce tomou tudo a volta. Renascer é volver a terra de si, retirar as folhas secas, fazer aguar sobre as raízes, e deixar ao tempo a surpresa brotante.
Impresso por-em Cris Ebecken As 12:42:13
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Carol sentou-se a minha frente na nossa mesa de costume. O olhos verdes voltados ao mar. A tagarelice alegre de quem vai fazendo a vida com graça. Rimos feito crianças dos absurdos do dia-a-dia. Rimos ainda mais feito crianças tentando falar em muitas línguas. Dri há tempos nos apelidou com estações. Carol, primavera. Eu, verão. Jamais arriscamos dar à Dri uma estação. Mais nova eu lhe cantava Leaozinho, hoje eu ousaria tempo e transformação. Talvez por isso Dri tenha tido a sabedoria divertida nos apelidos. E talvez por isso quando as três se encontram a vida aparece com novos sentidos. Carol nem imagina o quanto me revigora. Dri jamais suporia o quanto me sincroniza. Eu, assim, ensolaro. E fico sempre com essa impressão luminosa de que a vida encontra e faz na beleza a união.
Impresso por-em Cris Ebecken As 17:37:56
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Era um pouco mais de meia dúzia de amigos sentados naquela mesa entre tantas bebidas circulantes. Começaram sóbrios de boca cheia atualizando uns aos outros sobre o que vinham fazendo da vida. Uma passarela, um desfile... a velha moda da grama do vizinho. A forma do discurso cristalizada no habitual de cada. Como o tempo não tarda, nem falha, nem mascara, evoluíram trôpegos. Trôpegos podiam abrir seus queixumes, questionar aquilo que construíram, lastimar pelo o que não mudaram. E como habitual das formas cristalizadas, invocavam o passado, fadavam presente e futuro. Por alguma luz tudo aquilo embrulhou o estômago de alguém, que disse aos outros precisar tomar um ar. Saiu de dentro do bar, deu uma caminhada pela vista de toda uma orla. Em algum ponto debruçou-se no muro para sentir melhor a brisa do mar. Bem ali se encontrava pixada na pedra a palavra liberdade. Pena que ninguém viu.
Impresso por-em Cris Ebecken As 17:16:53
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Se a vida é uma só e tudo que temos é o tempo presente, melhor não dar nó nos sentimentos. Meu palpite pulsante quanto ao hoje, é que o que mais vale é costurar trançando a linha da vivência com o coração. Tudo de possível está sempre em nossas mãos, convém não se sabotar, ser honesto consigo e suas querências... permitir-se é ir de encontro.
Impresso por-em Cris Ebecken As 12:23:45
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Ele em um movimento suave e imperceptível passou o braço pela sua cintura. O fez com a maior naturalidade, na frente do mundo, como se já estivessem habituados com esse lado a lado. Sim, até já se conheciam, mas se encontraram ali justamente para se conhecer mais um pouco. Ela, depois de umas cervejas, sentindo a mão dele, teve um devaneio engraçado: guarda-chuva. Já era um dia frio de inverno, embora em si não chuvoso, a brisa marítma causava uma paisagem solitária na retina. Os dois que ali se descobriam transmutavam o cenário, havia um gosto quente envolvendo. Era como se ela, depois de caminhos sob gotas acirradas, fosse puxada para debaixo de um guarda-chuva com um sorriso.
Impresso por-em Cris Ebecken As 12:08:08
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O amor das vitrines dos namorados
é só manequim e formato,
mercado de relações.
Vale mais descobrir o que encaixa
na troca, no tato,
na química e através dos olhares,
arrepiando a nuca das próprias estações.
Impresso por-em Cris Ebecken As 11:59:33
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-Desculpa minhas imprevisibilidades.
-Eu também tenho as minhas, mas é que você...
-Olha, são só umas panes que às vezes dão aqui dentro.
-Panes... você vem, vem leve, parecendo aberta...
-Eu sei, eu sei...
-E de repente parece que não tá aqui, ou de repente lida com tudo feito uma geleira.
-Mas é que...
-Espera, ouve. A minha pane é não conseguir falar, e eu tô aqui conseguindo.
-ok.
-A sua liberdade pra viver é linda, eu posso sentir você. Não sei e nem quero saber o que você já viveu, já saquei que o problema tá aí. E também já saquei a força que você tem pra tentar largar isso. Eu sei o que é isso. E quem tá na sua frente agora sou eu, e bem que você poderia tentar não me afastar, porque eu tô tendo uma coragem que eu nunca tive em mim, porque com você eu tenho a sensação de que tudo vale.
-Me abraça, vai...
Impresso por-em Cris Ebecken As 11:40:56
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Outro dia ouvi uma história de uma pessoa que de tanto se perder buscou perder tudo que não lhe dizia com sentimento. Se isso é algum tipo de coragem eu não sei, apenas compreendo como um impulso maior, uma tentativa de encontro consigo. Pois bem... de acordo com o narrado, anos foram caminhados e percursos tateados, o que pode ser chamado vulgarmente por aí de amadurecimento. Porque, sim, a personagem dessa história, embora caracterizada pela natural distração, parece ter no somatório aprendido a não ser displicente consigo. A partir desse somatório, pôs-se a permitir subtrações do que não lhe vinha com olhos verdadeiros, e em algum ponto nada pré-determinado aceitou que verdadeiro é das concepções mais subjetivas que existem. Resolveu, então, fazer uma equação pessoal com a concepção de respeito. De repente viu-se gestando um mundo em si e se aventurando em pontes com mundos outros. Esse foi o momento da revelação: como livro, a vida é narrada de dentro e lançada para fora, as páginas em branco podem ser as melhores construções do agora. Eis a concepção de livre de quem me contara a história, a própria personagem...
Impresso por-em Cris Ebecken As 13:12:41
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