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PANACÉIA ESPORTILÍTICA

 Por esses dias no Rio de Janeiro, os ônibus circulam com a mensagem: O PAN É CARIOCA. Prefiro a linguagem adolescente para satirizar essas circuladas... o carioca anda pan, o Cristo pode ser mesmo uma maravilha disputada depois dos votos, mas antes mesmo já deveria ser, e todas essas jogadas deixam o carioca pan das idéias.

A família vai ao jogo de basquete porque uma das filhas desejou muito essa vivência com o pai, já que quando jovem ele jogava basquete. Chegam à Cidade do Esporte quase agradecendo a Deus por finalmente chegarem depois de todos os dribles de transporte. Pessoas se encontram sentadas nas suas cadeiras, foram os voluntários que as remanejaram, ignorando os assentos estarem comprados, alegando que os remanejados chegaram primeiro e rindo ao desrespeito dizendo: pode processar. O pai já não quer mais assistir ao jogo, quer o dinheiro de volta. Mas lá no atendimento, novamente por mais voluntários, aparece o cortês jeitinho brasileiro: camarote.

A outra filha sai no corredor para fumar um cigarro. Esbarra com outra fumante, também indignada, não entendendo ter pago R$120,00 para um "super" lugar e ter se descoberto atrás da cesta com vizinhos de cadeira que pagaram R$20,00. Aonde ficava esse corredor que se encontraram? No setor dos camarotes. A outra fumante interrompe a conversa para falar no celular. Desliga com um sorriso ímpar, diz que vai lá buscar os amigos que conseguiu entrada para o camarote da mídia. A mídia mostra a vitória lavada brasileira, mais os aplausos de grandes atletas do passado. A mídia intercala ao longo de toda a semana as imagens da tragédia do avião em Congonhas com a contagem das medalhas.

Do lado de fora do jogo um exemplo amarfanhado da democracia. Filas e filas e filas com plaquinhas quase organizadas. Ou entra na do táxi para a corrida mais cara, ou esquenta o pé na dos ônibus, esses mesmos que circulam com a tal mensagem, mas não circulam o suficiente em número de carros para atender a demanda. Porque carro mesmo, o carioca sequer deve pensar, precisa se manter bem pan das idéias porque estacionamento apenas uns quatro pequenos, clandestinos e puro barro, mas com preço padronizado e muitos e muitos cem metros incontáveis e intangíveis dali. Mas quem foi que disse que o carioca tem alguma coisa com isso? Eu, hein...

Tem mais é que se sentir vitorioso. Afinal, O PAN É CARIOCA! Mais além, é brasileiro, é de torcedor trabalhador com raça! O esporte aonde realmente fica? Disputa suada. Fica mesmo difícil essa dinâmica de lugar, entrelugar, cidade do esporte, cidade turística e camarotes. E deve ser isso que tem me deixado completamente pan da cabeça, a ponto de pessoas jurarem ter me ouvido falar que de agora em diante, para todo e qualquer cargo, só Macunaíma me toma voto.



Impresso por-em Cris Ebecken As 20:40:54
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- Andei tentando te dizer que te gosto.

-Também ando querendo te dizer o mesmo.

-Então é verdade o que vejo nos seus olhos.

-Então é verdade o que sinto aqui dentro.

-E agora?

-Dá a mão, vem comigo e com o tempo.



Impresso por-em Cris Ebecken As 18:09:37
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Os olhos do menino correm soltos, voam alto junto a pipa. Os dedos miúdos dançam a fina linha. Ele pensa nas histórias ouvidas antes de dormir, nas histórias cochichadas nas fofocas familiares, nas histórias tagareladas na rua. A vida é cheia de histórias, é o que corre em seus pensamentos. Os olhos longe acham desenhos na nuvem quase teto da pipa. Solta linha no vento, morde a língua no canto da boca, sussurra consigo rindo: alto, alto, alto. Ainda não aprendeu a contar o tempo, mas pensa solitário como não colar a história do pai. Por se achar pequeno acaba sendo grande. Por ser grande acha triste ser pequeno.



Impresso por-em Cris Ebecken As 23:42:07
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Gira gira

roda a vida

viva roda

a vida gira.

 

A tela em branco

no ponteiro do início

abre o abismo

da vida nova

pedindo tinta.

 

Nada fica.

Tudo transforma.

A ciranda da vida

gira a roda,

a cor nova

se chama agora.



Impresso por-em Cris Ebecken As 21:27:59
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A mesa daquele bar estava tagarelante, pluralmente feminina. As vozes em encontro trocavam histórias, derramavam bebida, convertiam as durezas em riso. O ser humano tem esse gosto bonito, pensava Sophia. Havia a palavra esperança sendo posta à mesa, e a palavra força no dar as mãos para amortecer o quê da palavra sozinha. Palavreamentos é um multiplicar de sementes, brotava o pensamento de Sophia. Olhava as amigas em seus gestos, vasculhava o que gestavam, era solidária com o que digeriam. Mulheres de tempos diferentes, universos distintos, convergiam na prosa um alimento. Noite simples feito tantas outras, assim como cada uma, cada alegria e cada ferida.

Até aparecer o vendedor de anéis, e aquele homem cheio de elos, pedras, contornos e adornos tornar-se o foco. As mãos experimentadoras vestiam-se, dançavam, se embaralhavam nas escolhas. Sophia era a menos inquieta, não por natureza, mas por pouca verba. Vez ou outra permitia aos olhos uma caminhada pelas mercadorias. Sempre repousavam sobre uma mesma, e ela fugia dando um trago no cigarro ou um gole no chopp. Até o vendedor dirigir-lhe a palavra e o anel:

- Por que você não experimenta esse que gostou?

Sophia sorriu. Calçou o dedo com certo zelo. O vendedor se alongou:

-É a pedra do amor.

-É um quartzo rosa. Desde pequena me persegue.

-Fica bonito em sua mão, combina com seu tom.

Ela perguntou o preço. Descalçou, devolveu para o meio das outras, disse não estar para o gasto. As outras permaneciam nas experimentações. Os olhos de Sophia também, sempre recaindo. O vendedor teimou:

-É a pedra do amor.

-É um quartzo rosa, sempre me persegue.

-Combina contigo.

-Hoje não posso.

-Quanto você pode dar nele?

Foi a primeira a pagar, já ficou vestida. As amigas continuavam bailarinas pluralizantes. Uma queria granada, outra explicava sobre turmalina. Uma  variava entre olho de tigre e pirita, outra borboletava. Mas Sophia já estava distante da tagarelice vasculhadora feminina. Olhava o dedo com o rosa redondo na mão das linhas misteriosas. E o vendedor ousou:

-Para agora fazer o amor fluir.

Ela manteve os olhos na pedra calçada, nova, novamente. Respirou pensativa: Eita coração teimoso.



Impresso por-em Cris Ebecken As 14:06:25
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-Não te precipites - dizia a velhinha - O mundo anda caduco, minha filha.

-Mas eu já sou o precipício - pensava a menina.

-A gente anda muito por algo que vale. A gente demora a descobrir as coisas - continuava falando ela.

-Mas a vida é mesmo sempre metida a labirinto - continuava pensando.

-Sempre no mundo da lua. Que o tempo cuide bem dela - pensou a velhinha.

-Um dia eu alcanço, não se preocupe - falou a menina.



Impresso por-em Cris Ebecken As 14:09:02
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