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A pequena morte

Não nos provoca riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. Pequena morte, chamam na França a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz por encontrar-nos e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce.

Eduardo Galeano; O Livro dos Abraços



Impresso por-em Cris Ebecken As 00:37:28
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- A vida às vezes me parece um roteiro...

- De estrada, de viagem?

- Também.

- Filme? Teatro?

- Bússolas, curvas, chegadas. Luzes acendem, luzes apagam, falas e silêncio.

- Parece mesmo. Será que já está tudo escrito?

- Ah... acho que caronas e improvisos fazem parte.



Impresso por-em Cris Ebecken As 00:51:37
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- O tempo virou de forma tão esquisita...

- É, por aqui caiu uma tromba d´água danada.

- E agora mesmo, no jornal a notícia. A NASA prevê descongelamento total.

- Ah... a profecia maia...

- Lá vem você com essa maluquice!

- Lá vem você achando tudo infinito e estável.

- Sua fé alta à vezes me abala.

- Às vezes minha fé também se cala...

- Você tá chorando?

- Foi só uma tempestade aqui dentro de casa.

- Desculpa, foi só um comentário bobo sobre o tempo.

- Relaxa, vez em quando o tempo descongela minhas bases...

- Ai, não tinha nada que ter falado da reportagem da NASA.

- Que nada, imprevisíveis mesmo são nossas profecias internas...



Impresso por-em Cris Ebecken As 20:52:56
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VAMOS COMER!

"Tupy, or not tupy that is the question."*

No more tastes in tupy-way-of-life!

"Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos."*

Eita, colonização chiclete...

"O que atrapalhava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido."*

Nu seguiremos entre brisas tropicalientes! Nos alimentando entre dentes de toda renda de lingerie...

"Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil."*

Ô convenções mundiais das revoluções dos umbigos... Macunaíma para presidente!

"Contra todos os importadores de consciência enlatada."*

Comamos bolas de futebol entre chutes da Nike...

"Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará."

Mas divino não é o amistoso brasileiro?

"Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vítima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores."*

Eu? Eu? Onde? Será a culpa do príncipe que não derrota monstros? Ou será culpada a princesa, por não pentear as longas tranças?

"Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo."*

Mas comem salada de samba de raiz à moda...

"Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas."*

Olha a corôa, tupy! O mar te trouxe recalques edípicos como bênçãos!

"Contra as escleroses urbanas.Contra os conservatórios, e o tédio especulativo."*

No Stress é a estamparia, caíram as vendas da Ser ou Não Ser...

"O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico"*

Adeus convenções arames farpantes das ilhas... abalos sísmicos... venha a confluência dos continentes!

"A alegria é a prova dos nove"

Ai, Oswald! Te seria Tarsila ou Pagu facilmente... nossos lençóis de linhas seriam gargalhantes e famintos...

*Fragmentos retirados do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, 1928.



Impresso por-em Cris Ebecken As 00:54:00
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Entre-Janelas 3

 - Quero os seus olhos!

Era a voz que ecoava do outro lado da porta, entre batidas de mãos fortes, fazendo Lina se extremecer por completo. Meus olhos?, se perguntava espichando a dúvida pelo olho mágico. Se o entrego isso, provável estaria cega, e se não estivesse, ficaria; pensava ela em seu silêncio confissional dentro de suas janelas.

- Quero suas mãos!

Persistia o estrondo a bater em sua madeira fronteira de entrada. Agora já me parece um assalto; recuava o corpo Lina. Se me leva as mãos, o que o novo dono faria com meus toques? O que escreveria de mim em sua história? Assustava-se com o imperioso antes não conhecido, quais seriam os motivos e os sentidos? Coisa mais estranha essa, o que aqui se esconde; se indagava apalpando as próprias digitais.

- Quero sua voz!

 Adoçava o tom teimante do outro lado, colocando ritmo nas batidas à porta. Lina mais uma vez se pendurava curiosa no olho mágico, atravessava com o olhar buscando os contornos do outro, tateava as paredes se equilibrando. O que quer ele com meus olhos, minhas mãos e minha voz? O que leva alguém a me querer essas partes? Que quebra-cabeças é esse que montaria de mim? Tanto se perguntava, enquanto dissolvia a idéia de um assaltante, e achava naquele homem que escolhera bater à porta um quê de semelhante, um não de ameaça.

- Me dá seu coração...

Agora dito com punhos baixos, sílabas bem pronunciadas. Agora era Lina por dentro aos gritos, com a mão inerte na fechadura, os olhos molhados embaralhando as percepções do outro lado, a voz lutando a sair pela garganta, o peito batendo acelerado. E perguntas sacudindo os pensamentos. Se abro, me cuida ou me devora? Se entrego, o que descubro de mim nessa nova forma?



Impresso por-em Cris Ebecken As 10:31:42
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