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Balanceadas...

Estava vazio o parquinho de crianças quando as duas amigas o encontraram ao longo de uma caminhada sem destino. Um sol a pino, escorrega, balanço, e foram sentar cada uma em uma gangorra, lado a lado. Enquanto uma tateava a madeira como quem compra doce na porta do colégio, a outra esticava os olhos ao extremo oposto suspenso da gangorra. Pensava uma: nunca entendi essa fixação que as pessoas tem pela infância, gosto das minhas lembranças, mas não trocaria por nada cada instante novo. Pensava outra: acho que cresci no pique-esconde, deveria  não ter fugido tanto do pique-pega.

Comentou uma:

- Será que nossos filhos vão brincar juntos?

Retrucou a outra:

- Como será o ponto de equilíbrio da gangorra?

Riram feito duas crianças que já se sabiam crescidas. Esgotadas as gargalhadas, traduziram-se faces atordoadas. Pensava uma: ela não sabe mais se sabe ser par. Pensava a outra: ela não sabe se consegue ser mãe.

Comentou uma:

- Essa vida é metáfora que não acaba...

Retrucou a outra:

- De qualquer forma, a gente marca tardes no parquinho...



Impresso por-em Cris Ebecken As 17:03:08
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 Anjironias...

Se encontraram lá: ela, ele, e um anjo do bom senso como mediador.

- Será que era mesmo para a gente se encontrar?

- Você ainda não entendeu o tamanho disso?

- Mas você espera o que de mim?

- Parece que não me conhece...

- Me responde!

- O que você quer que eu faça com o que espero?

- Comigo você não precisa da sua retranca, sabe disso.

- E comigo não tem cabimento você olhar com descrença.

Antes do risco da faísca, saiu do silêncio o mediador...

(- Vocês dois, façam-me um favor! Mocinha, você, a busca não sempre foi cuidar e ser cuidada? E você, rapaz, não sempre foi um par inteiro?)

- Hã?

- E?

(- Olha quem são vocês. Não responde as dúvidas? Não resolve tudo?)

Mas um respirar dos olhos um do outro puxou uma desconversa entre ele e ela:

- Repara, dava uma fotografia bonita aqueles dois lá remando.

- Pois é... essa coisa de dois não larga do imaginário.

E o anjo do bom senso...

(- Na próxima me demito e me ofereço como demônio...)



Impresso por-em Cris Ebecken As 16:33:57
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SOFTLY

Foi ouvindo uma música velha, dessas mais antigas do que pode contar a própria memória, que as compreensões bateram-lhe aos ouvidos dos sentidos. Não, não era um revisitar espaços vividos, mas sim sair da vivência do brechó. E pensava... era uma vantagem imensa essa história do tempo não ser linear, por que teria que ficar ali leiloando-se para si? Que mania estranha era aquela das pessoas cultuarem o que foram ou o que seriam um dia? 

A vida já era outra. O tempo era outro. O coração pedia coisas outras e outros. Nem sequer vestígios do que se despedir. Aprendera a matar no silêncio, e antes mesmo da morte sorrir suas ironias, ria dos personagens do próprio livro, que a essa altura já sabia não próprio, e sendo alheio já nada lhe dizia. Pensava... escritores são tão insanos, de perto podem mesmo serem esquisitos... 

"Singing my life with his words"... softly, até esgotar o repeat... killing, até restar apenas o que faça sentido. Linhas livres.



Impresso por-em Cris Ebecken As 20:41:52
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- Então, o que te traz à consulta?

- Problema no coração.

- Um desconforto?

- Um aperto.

- Dói?

- Assim, dá falta de falta de ar.



Impresso por-em Cris Ebecken As 23:13:26
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